Estratégia ESG e Valor de Mercado: Insights Baseados em Evidências
- Susana Vieira
- 20 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Nos últimos anos, três letras começaram a direcionar conversas, investimentos e decisões estratégicas: ESG — Environmental, Social and Governance. Mas apesar de estarem em todos os relatórios corporativos e eventos de mercado, ainda existe uma pergunta silenciosa pairando entre investidores, gestores e profissionais:
“Afinal, ESG aumenta o valor de uma empresa ou é só discurso bonito?”
A ciência já começou a responder. E uma das pesquisas que traz luz a esse debate é o estudo de Fatemi, Glaum e Kaiser (2018), publicado no Global Finance Journal.
E o que eles descobriram… muda profundamente a forma como olhamos para sustentabilidade corporativa.
1. Boas práticas ESG aumentam o valor da empresa
O estudo analisou mais de 1600 observações de empresas americanas entre 2006 e 2011, comparando indicadores ESG, nível de disclosure e valor de mercado.
A constatação é direta:
ESG positivo está associado a maior valuation.
Empresas com iniciativas ambientais, sociais e de governança bem estruturadas são percebidas como menos arriscadas, mais eficientes e mais preparadas para o futuro.
Isso se traduz em reputação, atração de talentos, maior confiança de stakeholders e redução de riscos operacionais e regulatórios.
2. Fragilidades ESG reduzem valor
Do outro lado, o estudo mostra que:
ESG negativo — polêmicas, falhas de governança, questões ambientais — reduz o valor da empresa.
O mercado penaliza organizações que representam risco reputacional, regulatório ou operacional.
3. Disclosure ESG não é sempre positiva
Aqui surge o ponto mais estratégico do estudo.
A pesquisa revela que o disclosure ESG isoladamente pode reduzir o valor da empresa, principalmente quando a organização já possui bons indicadores ESG.
Isto é:
Fazer muito e divulgar demais pode ser percebido como exagero ou “green overacting”.
O mercado desconfia quando a comunicação é maior que a substância.
Essa percepção reduz parte do impacto positivo que as boas práticas ESG naturalmente teriam.
4. Mas divulgar muito ajuda empresas com fraquezas
Quando a empresa apresenta fragilidades ESG, o movimento se inverte:
Mais disclosure ajuda a suavizar o impacto negativo e reconstruir confiança.
Transparência e contextualização funcionam como mecanismo de mitigação de risco reputacional.
Isso indica que empresas com desafios ESG devem priorizar estratégias de comunicação mais amplas, explicando planos, compromissos e melhorias.
5. O que isso significa para executivos e líderes?
O estudo reforça uma tese fundamental para a gestão contemporânea:
ESG é uma agenda estratégica e multidimensional. Não basta fazer; é preciso comunicar com precisão, transparência e equilíbrio.
Três implicações práticas se destacam:
✔ Coerência entre prática e discurso impacta diretamente o valuation.
✔ Empresas maduras em ESG devem evitar excesso de exposição.
✔ Empresas com fragilidades ESG devem aumentar disclosure e explicar sua trajetória de correção.
Em um mercado cada vez mais orientado por dados, riscos e expectativas socioambientais, a comunicação ESG precisa ser estratégica, técnica e calibrada.
Concluindo, o estudo de Fatemi, Glaum e Kaiser traz uma contribuição relevante:
o valor de uma empresa depende tanto das suas práticas ESG quanto da forma como ela divulga essas práticas.
Boas práticas + comunicação equilibrada → gera valor
Fragilidades + transparência ampliada → mitiga perdas
Comunicação excessiva + práticas positivas → pode soar artificial
Comunicação baixa + bons indicadores → desperdiça potencial
O mercado está mais atento do que nunca à consistência entre narrativa, indicadores e ações.
Se você atua com gestão, sustentabilidade, governança ou comunicação corporativa, esse é um dos debates-chave para o futuro das organizações.




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